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terça-feira, 14 de maio de 2013

Turma 1- Grupo 6
Aeroporto

(Carlos Drummond de Andrade)


Viajou meu amigo Pedro. Fui levá-lo ao Galeão, onde esperamos três horas o seu quadrimotor. Durante esse tempo, não faltou assunto para nos entretermos, embora não falássemos da vã e numerosa matéria atual. Sempre tivemos muito assunto, e não deixamos de explorá-la a fundo. Embora Pedro seja extremamente parco de palavras e, a bem dizer, não se digne pronunciar nenhuma. Quando muito, emite sílabas; o mais é conversa de gestos e expressões, pelos quais se faz entender admiravelmente. É o seu sistema.

Passou dois meses e meio em nossa casa, e foi hóspede ameno. Sorria para os moradores, com ou sem motivo plausível. Era a sua arma, não direi secreta, porque ostensiva. A vista da pessoa humana lhe dá prazer. Seu sorriso foi logo considerado sorriso especial, revelador de suas intenções para com o mundo ocidental e o oriental e em particular o nosso trecho de rua. Fornecedores, vizinhos e desconhecidos, gratificados com esse sorriso (encantador, apesar da falta de dentes), abonam a classificação.

Devo admitir que Pedro, como visitante, nos deu trabalho: tinha horários especiais, comidas especiais, roupas especiais, sabonetes especiais, criados especiais. Mas sua simples presença e seu sorriso compensariam providências e privilégios maiores. Recebia tudo com naturalidade, sabendo-se merecedor das distinções, e ninguém se lembraria de achá-lo egoísta ou inoportuno. Suas horas de sono — e lhe apraz dormir não só à noite como principalmente de dia — eram respeitadas como ritos sacros a ponto de não ousarmos erguer a voz para não acordá-lo. Acordaria sorrindo, como de costume, e não se zangaria com a gente, porém é que não nos perdoaríamos o corte de seus sonhos. Assim, por conta de Pedro, deixamos de ouvir muito concerto para violino e orquestra, de Bach, mas também nossos olhos e ouvidos se forraram à tortura da TV. Andando na ponta dos pés, ou descalços, levamos tropeções no escuro, mas sendo por amor de Pedro não tinha importância.

Objeto que visse em nossa mão, requisitava-o. Gosta de óculos alheios (e não os usa), relógios de pulso, copos, xícaras e vidros em geral, artigos de escritório, botões simples ou de punho. Não é colecionador; gosta das coisas para pegá-las, mirá-las e (é seu costume ou sua mania, que se há de fazer) pô-las na boca. Quem não o conhecer dirá que é péssimo costume, porém duvido que mantenha este juízo diante de Pedro, de seu sorriso sem malícia e de suas pupilas azuis — porque me esquecia de dizer que tem olhos azuis, cor que afasta qualquer suspeita ou acusação apressada sobre a razão íntima de seus atos.

Poderia acusá-lo de incontinência, porque não sabia distinguir entre os cômodos, e o que lhe ocorria fazer, fazia em qualquer parte? Zangar-me com ele porque destruiu a lâmpada do escritório? Não. Jamais me voltei para Pedro que ele não me sorrisse; tivesse eu um impulso de irritação, e me sentiria desarmado com a sua azul maneira de olhar-me. Eu sabia que essas coisas eram indiferentes à nossa amizade — e, até, que a nossa amizade lhes conferia caráter necessário, de prova; ou gratuito, de poesia e jogo.

Viajou meu amigo Pedro. Fico refletindo na falta que faz um amigo de um ano de idade a seu companheiro já vivido e puído. De repente o aeroporto ficou vazio.

(Extraído de: Cadeira de balanço. Rio de Janeiro, Livraria José Olympio Editora, 1976, p. 61, 62.)


Perguntas sobre o texto : Aeroporto

1) O texto Aeroporto de Carlos Drummond de Andrade, trata-se de:

a) uma crônica

b) uma fábula

c) uma poesia

d) um conto

e) uma notícia
(reconhecer os diferentes gêneros e suas funções)

2) Leia o seguinte trecho retirado do texto e responda:

“Fui levá-lo ao galeão, onde esperamos três horas o seu quadrimotor.”

- Pedro foi levado para o galeão, que lugar é esse?

- O que é um quadrimotor?
(utilizar conhecimento de mundo para compreensão do texto

3) Por que Pedro se comunicava apenas através de gestos e expressões?
(elaborar inferências)

4) Quanto tempo Pedro passou na casa do amigo?
(localizar informações no texto)

5) Como é o amigo de Pedro?
(caracterizar personagens do texto a partir de pistas dadas – elaborar inferências))

6) Como era Pedro?
(caracterizar personagens do texto – integrar informações explícitas do texto)

7) Por que as pessoas andavam na ponta dos pés, ou descalços, levando tropeções no escuro?
(elaborar inferências)

8) Na expressão: “...e lhe apraz dormir não só a noite mas principalmente de dia”
A palavra apraz, significa:

a- agrada.
b- irrita.
(identificar contextualmente sinônimos de palavras)

9) O que o autor quis dizer com a frase: “ De repente o aeroporto ficou vazio.” ?
(interpretar frases e expressões do texto)

10) Que relação podemos estabelecer entre o título (Aeroporto) e o texto?
(apreender sentido geral do texto)



Relato de Experiência da Professora:


Segui exatamente a situação de aprendizagem que elaboramos. Escolhi um 9º ano para colocá-lo em prática, utilizei quatro aulas, e foi desenvolvido na Sala de Leitura, em parceria com a professora da sala de leitura, da coordenação e também da direção, que disponibilizou espaço e material Tudo isto fez com que o projeto fosse um sucesso. Após a última atividade da nossa situação de aprendizagem, ainda acrescentei as seguintes:


* utilização de sala de informática: a turma foi separa em grupos para as seguintes pesquisas e posterior socialização:

- aeroporto galeão ( onde fica?, sua importância política, econômica e social, história/ curiosidades, importância pra copa do mundo...

- biografia de drummond

- obras de drummond

- temática de suas obras

- sua importância em nossa literatura


* Avaliação do projeto:

Gostaria de ressaltar que procurei utilizar o máximo possível da tecnologia para tornar o projeto dinâmico e atrativo, assim, as atividades foram apresentadas em forma de slides, no data show. Coloquei de fundo, nos momentos de reflexão, canções que retratam o rio de janeiro (mpb). Os alunos utilizaram a Sala de Informática para fazer pesquisas e preparar socialização.



* Considerações finais:

Os alunos gostaram da abordagem do assunto, por isso, obtive 100% de participação e aproveitamento. Acredito que a tecnologia foi fundamental para despertar o interesse. Eu, como professora fui uma mediadora das próprias descobertas dos alunos. Isso me deixou bastante satisfeita, pois não gosto de passar conteúdos, gosto de criar oportunidades para que meu aluno crie seus conceitos, suas teorias, seu conhecimento. 

 Slides utilizados na aula:


















Profª Ninette  
E.E. Profª Alva Fabri Miranda